CAPÍTULO
ONZE
A
Firebolt
Harry
não tinha uma idéia muito clara de como conseguira voltar ao porão da
Dedosdemel, atravessar o túnel e sair mais uma vez no castelo. Só sabia
que a viagem de volta parecia não ter demorado nada, e que ele mal se
apercebera do que estava fazendo, porque sua cabeça continuava a latejar
com a conversa que acabara de ouvir.
Por
que ninguém lhe contara? Dumbledore, Hagrid, o Sr. Weasley, Cornélio
Fudge... Por que ninguém jamais mencionara o fato de que seus pais tinham
morrido porque o melhor amigo deles os traíra?
Rony
e Hermione observavam Harry, muito nervosos, durante o jantar, sem sequer
se atrever a conversar com ele sobre o que tinham ouvido, porque Percy
estava sentado perto deles. Quando subiram para a concorrida sala comunal,
foi para descobrir que Fred e Jorge tinham soltado meia dúzia de
bombas de bosta num arroubo de animação de fim de trimestre. Harry, que
não queria que os gêmeos lhe perguntassem se tinha chegado ou não a
Hogsmeade, subiu sorrateira e silenciosamente para o dormitório vazio
e foi direto ao seu armário de cabeceira. Empurrou os livros para um lado
e não demorou nada a encontrar o que estava procurando — o álbum
de fotografias encadernado em couro que Hagrid lhe dera havia dois
anos, repleto de fotos mágicas de seus pais. O garoto se sentou na
cama, fechou o cortinado e começou a virar as páginas, procurando,
até que...
Parou
numa foto do dia do casamento dos pais. Lá estava seu pai acenando para
ele, sorridente, os rebeldes cabelos negros que Harry herdara apontando
para todas as direções. Lá estava sua mãe, radiante de felicidade, de
braço dado com o seu pai. E lá... Aquele devia ser ele. O padrinho...
Harry jamais lhe dera atenção antes.
Se
não tivesse sabido que era a mesma pessoa, jamais teria pensado que era
Black naquela velha foto. Seu rosto não era encovado e macilento, mas
bonito e risonho. Já estaria trabalhando para Voldemort quando a foto fora
tirada?
Já
estaria planejando as mortes das duas pessoas ao seu lado? Saberia que ia
enfrentar doze anos em Azkaban, doze anos que o tornariam irreconhecível?
Mas
os dementadores não o afetam, pensou Harry examinando atentamente aquele
rosto bonito e risonho. Ele não tem que ouvir minha mãe gritando quando
eles chegam muito perto...
Harry
fechou com violência o álbum e, abaixando-se, guardou-o de novo no
armário, tirou as vestes e os óculos e foi dormir, cuidando para que o
cortinado o escondesse de todos.
A
porta do dormitório se abriu.
—
Harry? — chamou a voz de Rony, hesitante.
Mas
Harry continuou quieto, fingindo que estava dormindo. Ouviu o amigo se
retirar e virou de barriga para cima, os olhos muito abertos.
Um
ódio que ele jamais conhecera começou a crescer dentro dele como veneno.
Viu Black rindo-se dele no escuro, como se alguém tivesse colado a foto do
álbum em seus olhos. Assistiu, como se estivesse vendo um filme, a Sirius
Black explodir Pedro Pettigrew, (que lembrava Neville Longbottom), em
mil pedaços. Ouviu (embora não tivesse a menor idéia do som que teria
a voz de Black) um murmúrio baixo e excitado. "Aconteceu, meu Senhor... os Potter me escolheram para fiel do seu
segredo”. E então ouviu outra voz, rindo-se histericamente, a mesma
risada que Harry ouvia mentalmente sempre que os dementadores se
aproximavam...
—
Harry, você... Você está com uma cara horrível. O garoto só adormecera
quando o dia ia raiando. Ao acordar, encontrou o dormitório vazio,
deserto, se vestiu e desceu para a sala comunal, também vazia exceto
pela presença de Rony, que comia sapos de creme de menta e massageava a
barriga, e Hermione que espalhara os deveres de casa em cima de três
mesas.
—
Onde foi todo mundo? — perguntou Harry.
—
Embora! Hoje é o primeiro dia das férias, está lembrado? — respondeu Rony,
observando o amigo atentamente. — É quase hora do almoço; eu ia subir para
acordá-lo daqui a pouquinho.
Harry
afundou em uma poltrona junto à lareira. A neve continuava a cair lá
fora. Bichento estava esparramado diante da lareira como um grande tapete
amarelo-avermelhado.
—
Realmente você não está com uma cara muito boa, sabe — disse Hermione,
examinando ansiosa o rosto do garoto.
—
Estou ótimo — retrucou ele.
—
Harry, escuta aqui — disse Hermione trocando um olhar com Rony —, você
deve estar realmente perturbado com o que ouviu ontem. Mas o importante é
não fazer nenhuma bobagem.
—
Como o quê?
—
Como tentar ir atrás de Black — disse Rony depressa.
Harry
percebeu que os dois tinham ensaiado aquela conversa enquanto ele estivera
dormindo. Não respondeu nada.
—
Você não vai, não é mesmo, Harry? — insistiu Hermione.
—
Porque não vale a pena morrer por causa do Black — disse Rony.
Harry
olhou para os amigos. Eles pareciam não ter entendido o problema.
—
Vocês sabem o que eu vejo e ouço cada vez que um dementador se aproxima de
mim? — Rony e Hermione sacudiram a cabeça, apreensivos. — Ouço
minha mãe gritar e suplicar a Voldemort. E se alguém ouve a mãe gritar
daquele jeito, pouco antes de morrer, não dá para esquecer depressa. E
se descobre que alguém que ela acreditava ser amigo foi o traidor que
pôs Voldemort na pista dela...
—
Mas não tem nada que você possa fazer! — disse Hermione impressionada. —
Os dementadores vão capturar Black e ele vai voltar a Azkaban e... E
é muito bem feito para ele!
—
Você ouviu o que Fudge disse. Black não é afetado por Azkaban como as
pessoas normais. Não é um castigo para ele como é para os outros.
—
Então o que é que você está dizendo? — perguntou Rony muito tenso. — Você
quer... Matar Black ou coisa parecida?
—
Não seja bobo — disse Hermione, cuja voz transparecia pânico. — Harry não
quer matar ninguém, não é mesmo?
Mais
uma vez Harry não respondeu. Ele não sabia o que queria fazer. Só sabia
que a idéia de não fazer nada, enquanto Black continuava em liberdade, era
quase insuportável.
—
Malfoy sabe — disse ele de repente. — Vocês lembram do que ele me disse na
aula de Poções? "Se fosse eu, ia
atrás dele sozinho... Ia querer vingança.”
—
Você vai seguir o conselho de Malfoy em vez do nosso? — perguntou Rony,
enfurecido. — Escuta aqui... Você sabe o que a mãe do Pettigrew recebeu
depois que Black acabou com o filho dela? Papai me contou... A Ordem de
Merlim, Primeira Classe, e o dedo de Pettigrew em uma caixa. Foi o maior
pedaço dele que conseguiram encontrar. Black é um louco, Harry, e é
perigoso...
—
O pai de Malfoy deve ter contado a ele — disse Harry, não dando atenção a
Rony. — Fazia parte do círculo íntimo de Voldemort...
—
Faz favor de dizer Você-Sabe-Quem? — exclamou Rony com raiva.
—
... Então obviamente, os Malfoy sabiam que Black estava trabalhando para
Voldemort...
—
... e Malfoy adoraria ver você desintegrado em um milhão de pedaços, como
Pettigrew! Caia na real, Harry. A esperança de Malfoy é que você seja
morto antes de ele precisar jogar Quadribol contra você.
—
Harry, por favor — pediu Hermione, os olhos agora brilhantes de lágrimas
—, por favor, tenha juízo. Black fez uma coisa horrível demais, mas não
corra riscos, é isso que Black quer... Ah, Harry, você vai fazer o
jogo do Black se for atrás dele. Seus pais não iam querer que você se
machucasse, iam? Jamais iam querer que você saísse procurando o Black!
—
Eu nunca vou saber o que eles iam querer, porque, graças ao Black, nunca conversei
com eles — disse Harry com rispidez.
Houve
um silêncio em que
Bichento se espreguiçou com desenvoltura, flexionando as
garras. O bolso de Rony estremeceu.
—
Escuta — disse o garoto, obviamente procurando mudar de assunto —, estamos
de férias! Já é quase Natal! Vamos... Vamos descer para ver o Hagrid. Não
o visitamos há uma eternidade!
—
Não! — disse Hermione depressa. — Harry não pode sair do castelo, Rony...
—
É, vamos — disse Harry se endireitando na poltrona —, assim posso
perguntar a ele por que nunca mencionou o Black quando me contou a
história dos meus pais!
Continuar
a discussão sobre Sirius Black não era obviamente o que Rony tinha em
mente.
—
Ou poderíamos jogar uma partida de xadrez — disse ele depressa — ou de
bexigas. Percy deixou um jogo...
—
Não, vamos visitar Hagrid — disse Harry com firmeza.
Então
os três apanharam as capas nos dormitórios e saíram pelo buraco do retrato
(Levantem-se para lutar, seus vira-latas
covardes!), desceram pelo castelo vazio e cruzaram as portas de
carvalho.
Os
garotos caminharam sem pressa pelos jardins, deixando uma vala rasa na
neve faiscante e solta, as meias e as bainhas das capas foram se molhando
e congelando.
A
Floresta Proibida parecia que fora encantada, cada árvore se cobrira
de salpicos prateados e a cabana de Hagrid lembrava um bolo com glacê.
Rony
bateu, mas não teve resposta.
—
Será que ele saiu? — perguntou Hermione, que tremia embaixo da capa.
Rony
encostou o ouvido na porta.
—
Tem um barulho esquisito — disse. — Escuta só, será o Canino?
Harry
e Hermione encostaram os ouvidos na porta também. De dentro da cabana
vinham uns gemidos baixos e soluçantes.
—
Será que não é melhor a gente ir chamar alguém? — perguntou Rony, nervoso.
—
Hagrid! — chamou Harry, dando socos na porta. — Hagrid, você está aí?
Ouviu-se
um som de passos pesados, depois a porta se abriu com um rangido. Hagrid
estava ali parado, com os olhos vermelhos e inchados, as lágrimas
caindo pelo seu colete de couro.
—
Vocês souberam? — berrou ele, e se atirou no pescoço de Harry.
Tendo
Hagrid no mínimo duas vezes o tamanho de um homem normal, isso não foi
brincadeira. O garoto, quase desabando sob o peso do gigante, foi salvo
por Rony e Hermione, que seguraram um em cada braço de Hagrid, e o
puxaram para dentro da cabana. O guarda-caça deixou-se conduzir
até uma cadeira e se largou em cima da mesa, soluçando descontrolado,
o rosto brilhante de lágrimas que escorriam por sua barba embaraçada.
—
Hagrid, o que foi? — perguntou Hermione perplexa.
Harry
reparou em uma carta de aparência oficial aberta em cima da mesa.
—
Que é isso, Hagrid?
Os
soluços de Hagrid redobraram, mas ele empurrou a carta para o garoto, que
a apanhou e leu em voz alta:
Prezado Sr. Hagrid.
Dando prosseguimento ao
nosso inquérito sobre o ataque do hipogrifo a um aluno seu, aceitamos as
ponderações do Profº. Dumbledore de que o senhor não é
responsável pelo lamentável incidente.
—
Bem, então está tudo certo, Hagrid! — exclamou Rony, dando uma palmadinha
no ombro do amigo.
Mas
Hagrid continuou a soluçar, e fez sinal com uma de suas gigantescas
mãos, convidando Harry a continuar a leitura da carta.
No entanto, devemos
registrar a nossa preocupação quanto ao hipogrifo em pauta. Decidimos
acolher a reclamação oficial do Sr. Lúcio Malfoy, e o caso
será encaminhado à Comissão para Eliminação de Criaturas Perigosas.
A audiência terá lugar em 20 de abril, e solicitamos que o senhor
se apresente com o seu hipogrifo nos escritórios da Comissão, em
Londres, nessa data.
Entrementes, o animal
deverá ser mantido preso e isolado.
Atenciosamente...
Seguia-se
uma lista com os nomes dos conselheiros da escola.
—
Ah! — exclamou Rony. — Mas você disse que o Bicuço não é um hipogrifo
bravo, Hagrid. Aposto como ele vai se
safar...
—
Você não conhece as gárgulas da Comissão para Eliminação de Criaturas
Perigosas! — respondeu Hagrid com a voz engasgada, enxugando os olhos na
manga. — Eles têm má vontade com as criaturas interessantes!
Um
som repentino vindo de um canto da cabana fez Harry, Rony e Hermione se
virarem depressa. Bicuço, o hipogrifo, estava deitado a um canto,
mastigando alguma coisa que fazia escorrer sangue por todo o soalho.
—
Eu não podia deixar ele amarrado lá fora na neve! — explicou Hagrid,
sufocado. — Sozinho! No Natal.
Harry,
Rony e Hermione se entreolharam. Nunca tinham concordado com Hagrid sobre
o que o guarda-caça chamava de "criaturas
interessantes” e outras pessoas chamavam de "monstros aterrorizantes". Por outro lado, não parecia
haver nenhuma maldade especifica em Bicuço. De fato, pelos
padrões normais de Hagrid, o bicho era sem dúvida engraçadinho.
—
Você terá que preparar uma boa defesa, Hagrid — falou Hermione,
sentando-se e pondo a mão no braço maciço do amigo. — Tenho certeza de que você
pode provar que Bicuço é seguro.
—
Não vai fazer nenhuma diferença! — soluçou Hagrid. — Aqueles demônios da
Eliminação, eles são controlados por Lúcio Malfoy! Têm medo dele! E se eu
perder o caso, Bicuço...
Hagrid
passou o dedo rapidamente pela garganta, depois deixou escapar um lamento,
e caiu para frente, deitando a cabeça nos braços.
—
E Dumbledore, Hagrid? — perguntou Harry.
—
Ele já fez mais do que o suficiente por mim — gemeu Hagrid. — Já tem muito
com que se ocupar só para segurar os dementadores fora do castelo e o
Sirius Black rondando...
Rony
e Hermione olharam depressa para Harry como se esperassem que o garoto
fosse começar a criticar Hagrid por não ter contado a verdade sobre Black.
Mas Harry não teve coragem de perguntar nada, não naquele momento em
que estava vendo o amigo tão infeliz e amedrontado.
—
Escuta aqui, Hagrid — disse Harry —, você não pode desistir. Hermione tem
razão, você só precisa é de uma boa defesa. Pode nos chamar como
testemunhas...
—
Tenho certeza de que já li um caso de alguém que provocou um hipogrifo —
disse Hermione, pensativa — e o bicho foi inocentado. Vou procurar
para você Hagrid, e verificar exatamente o que aconteceu.
Hagrid
chorou ainda mais alto. Harry e Hermione olharam para Rony, pedindo ajuda.
—
Hum... E se eu fizesse uma xícara de chá para nós? — ofereceu-se o garoto.
Harry
olhou para ele, espantado.
—
É o que a minha mãe faz sempre que alguém está chateado — murmurou Rony,
encolhendo os ombros.
Finalmente,
depois de muitas reafirmações de ajuda, e uma caneca de chá fumegante
diante dele, Hagrid assoou o nariz com um lenço do tamanho de uma toalha
de mesa e disse:
—
Vocês têm razão. Não posso me entregar assim. Tenho que me controlar...
Canino,
o cão de caçar javalis, saiu timidamente debaixo da mesa e descansou a
cabeça no joelho do dono.
—
Não tenho andado muito bem ultimamente — disse Hagrid, acariciando Canino
com uma das mãos e enxugando o rosto com a outra. — Preocupado com o
Bicuço e com a turma que não está gostando das minhas aulas...
—
Nós gostamos! — mentiu Hermione na mesma hora.
—
É, elas são ótimas! — acrescentou Rony, cruzando os dedos embaixo da mesa.
— É... Como é que vão os vermes?
—
Mortos — disse Hagrid sombriamente. — Alface demais.
—
Ah, não! — exclamou Rony, com um trejeito de riso na boca.
—
E esses dementadores fazendo eu me sentir péssimo e tudo o mais — disse Hagrid
com um súbito estremecimento. — Tenho que passar por eles todas
as vezes que quero beber alguma coisa no Três Vassouras. É como se
eu estivesse de volta a Azkaban...
Ele
se calou e tomou um pouco de chá. Harry, Rony e Hermione o observaram
prendendo a respiração. Nunca tinham ouvido Hagrid falar de sua breve
estada em Azkaban. Depois de uma pausa, Hermione perguntou timidamente:
—
Lá é muito ruim, Hagrid?
—
Vocês não fazem idéia — disse ele com a voz contida. — Nunca estive em
nenhum lugar assim. Pensei que ia endoidar. Ficava lembrando de
coisas horríveis... O dia em que fui expulso de Hogwarts... O dia em que
meu pai morreu... O dia em que tive de mandar Norberto embora...
Seus
olhos se encheram de lágrimas. Norberto era o bebê dragão que Hagrid ganhara
certa vez em um jogo de cartas.
—
A pessoa não consegue mais se lembrar de quem é depois de algum tempo. E
começa a achar que não vale a pena viver. Eu tinha esperança de morrer
durante o sono... Quando me soltaram, foi como se eu estivesse renascendo,
tudo voltou como uma avalanche, foi a melhor sensação do mundo. E vejam
bem, os dementadores não gostaram nada de me deixar sair.
—
Mas você era inocente! — exclamou Hermione.
Hagrid
riu pelo nariz.
—
Você acha que eles se importam com isso? Que nada. Desde que tenham umas
centenas de seres humanos trancafiados com eles, para poder sugar
toda a felicidade deles, não estão nem aí se alguém é ou não é
culpado.
Hagrid
ficou calado por um instante, olhando para o chá.
Depois
disse em voz baixa:
—
Pensei em deixar Bicuço
ir embora... Tentar fazê-lo fugir.. Mas como é que a gente explica para um
hipogrifo que ele tem que se esconder? E... E tenho medo de
desrespeitar a lei... — Ele ergueu os olhos para os garotos, as lágrimas
outra vez escorrendo pelo rosto. — Não quero nunca mais na vida voltar
para Azkaban.
A
ida à cabana de Hagrid, embora não tivesse sido divertida, em todo o caso,
produzira o efeito que Rony e Hermione esperavam. Ainda que Harry não
tivesse de modo algum esquecido Black, não iria poder ficar pensando o
tempo todo em vingança se quisesse ajudar Hagrid a vencer a causa contra a
Comissão para Eliminação de Criaturas Perigosas. Ele, Rony e Hermione
foram, no dia seguinte, à biblioteca, e voltaram ao vazio
salão comunal, carregados de livros que poderiam ajudar a preparar a
defesa para o Bicuço. Os três se sentaram diante do fogo forte que havia
na lareira e folhearam lentamente as páginas de livros empoeirados
sobre casos famosos de feras que saíram para roubar ou atacar gente,
falando-se, ocasionalmente, quando deparavam com alguma coisa que
servisse.
—
Aqui tem uma coisa... Houve um caso em 1722... Mas o hipogrifo foi
condenado, eca, olhem só o que fizeram com ele, que coisa horrível...
—
Esse aqui pode ajudar, olhem... Um Manticora
atacou alguém ferozmente em 1296, e deixaram o bicho livre... Ah...
Não, foi só porque todos estavam com medo de se aproximar dele...
Nesse
meio tempo, tinham sido armadas no resto do castelo as magníficas
decorações de Natal, apesar de poucos alunos terem permanecido na escola
para apreciá-las.
Grossas
serpentinas de folhas e frutos de azevinho foram penduradas
pelos corredores, luzes misteriosas brilhavam dentro de cada armadura, e
o Salão Principal tinha as doze árvores de Natal de sempre,
fulgurantes de estrelas douradas. Um cheiro forte e gostoso de comida
invadia os corredores e, na altura da noite de Natal, estava tão
forte que até Perebas, no bolso de Rony, botou o nariz de fora
para cheirar, esperançoso, o ar.
Na
manhã de Natal, Harry foi acordado com Rony atirando um travesseiro nele.
—
Os Presentes!
Harry
apanhou os óculos e colocou-os no rosto, tentando enxergar, na penumbra,
os pés da cama, onde aparecera um montinho de pacotes. Rony já estava
rasgando o papel que embrulhava os dele.
—
Mais uma suéter de mamãe... Outra vez marrom-avermelhada... Veja se você também
ganhou uma.
Harry
ganhara. A Sra. Weasley lhe mandara uma suéter vermelha com o leão da
Grifinória no peito, uma dúzia de tortas de frutas secas e nozes, um bolo
de Natal e uma caixa com crocantes de nozes. Quando empurrou tudo isso
para um lado, ele viu um pacote fino e longo por baixo.
—
Que é isso? — perguntou Rony, espiando, enquanto segurava nas mãos um par
de meias marrom-avermelhadas que acabara de abrir.
—
Não sei...
Harry
rasgou o pacote e prendeu a respiração ao ver a magnífica e reluzente
vassoura que rolara sobre sua cama. Rony largou as meias e pulou da cama
dele para olhar mais de perto.
—
Eu não acredito — disse com a voz rouca.
Era
uma Firebolt, idêntica à vassoura de
sonho que Harry tinha ido ver todas as manhãs no Beco Diagonal. O cabo
brilhou quando ele a ergueu. Sentiu a vassoura vibrar e a soltou;
ela ficou flutuando no ar, sem apoio, na altura exata para ele montá-la.
Os
olhos de Harry correram da placa de ouro com o número do registro para a
superfície do cabo, dali para as lascas de bétula perfeitamente lisas e
aerodinâmicas que formavam a cauda.
—
Quem lhe mandou essa vassoura? — perguntou Rony em voz baixa.
—
Procure aí o cartão — disse Harry.
Rony
rasgou o resto do papel de embrulho da Firebolt.
—
Nada! Caramba, quem gastaria tanto dinheiro com você?
—
Bem — disse Harry atordoado —, aposto que não foram os Dursley.
—
Aposto que foi Dumbledore — disse Rony, agora rodeando a Firebolt,
apreciando cada centímetro de sua glória. — Ele lhe mandou a Capa da
Invisibilidade anonimamente...
—
Mas era do meu pai — respondeu Harry. — Dumbledore só estava passando a
capa para mim. Ele não gastaria centenas de galeões comigo. Não pode sair
dando coisas assim para alunos...
—
Por isso mesmo é que não ia dizer que foi ele! — concluiu Rony. —
Para um debilóide feito o Malfoy não dizer que é favoritismo. — Ei, Harry... —
Rony deu uma grande gargalhada. — Malfoy! Espera até ele ver você montado
nisso! Vai ficar doente de inveja! É uma
vassoura de padrão internacional, ah, isso é!
—
Não consigo acreditar — murmurou Harry, alisando a Firebolt, enquanto Rony
afundava na cama dele, rindo de se acabar só de pensar no Malfoy. —
Quem...?
—
Eu sei — disse Rony se controlando. — Eu sei quem poderia ter sido... O
Lupin.
—
Quê? — disse Harry, agora começando a rir também. — Lupin? Olha, se ele
tivesse tanto ouro assim, poderia comprar umas vestes novas.
—
É, mas ele gosta de você. E estava ausente quando a sua Nimbus se
arrebentou, e talvez tenha ouvido falar do acidente e resolvido visitar o
Beco Diagonal e comprar a vassoura para você...
—
Que é que você quer dizer com estava ausente? — perguntou Harry. — Ele
estava doente quando eu joguei aquela partida.
—
Bem, ele não estava na ala hospitalar — disse Rony. — Eu estava lá
limpando comadres, cumprindo aquela detenção que o Snape me deu, se
lembra?
Harry
franziu a testa para Rony.
—
Não posso imaginar Lupin comprando um presente desses.
—
Do que é que vocês estão rindo?
Hermione
acabara de entrar, vestindo um robe e segurando Bichento, que estava com a
cara de extremo mau humor e um fio de lantejoulas em volta do pescoço.
—
Não entra aqui com ele! — disse Rony, apanhando Perebas depressa das
profundezas de sua cama e guardando-o no bolso do pijama. Mas Hermione não ouviu.
Largou Bichento na cama vazia de Símas e grudou os olhos, boquiaberta, na
Firebolt.
—
Ah, Harry! Quem lhe mandou isso?
—
Não tenho a menor idéia. Não tinha cartão nem nada.
Para
sua surpresa, Hermione não pareceu nem excitada nem intrigada com a informação.
Pelo contrário, ficou desapontada e mordeu o lábio.
—
Que é que você tem? — perguntou Rony.
—
Não sei — respondeu Hermione lentamente —, mas é meio esquisito, não é?
Quero dizer, essa é uma vassoura muito boa, não é?
Rony
suspirou, exasperado.
—
É a melhor vassoura que existe no mundo, Hermione.
—
Então deve ter sido realmente cara...
—
Provavelmente custou mais do que todas as vassouras da Sonserina, juntas —
disse Rony alegremente.
—
Bem... Quem iria mandar a Harry uma coisa tão cara e nem ao menos dizer
que mandou? — perguntou Hermione.
—
Quem quer saber disso? — retrucou Rony, impaciente. — Escuta aqui, Harry,
posso dar uma voltinha? Posso?
—
Acho que ninguém devia montar essa vassoura por enquanto! — disse Hermione
com a voz esganiçada.
Harry
e Rony encararam a garota.
—
Que é que você acha que Harry vai fazer com ela... Varrer o chão?
Mas
antes que Hermione pudesse responder, Bichento saltou da cama de Simas
direto para o peito de Rony.
—
TIRE-O-DAQUI! — berrou Rony, ao mesmo tempo em que as garras de Bichento
rasgaram seu pijama e Perebas tentou uma fuga desesperada por cima do
seu ombro. Rony agarrou Perebas pelo rabo e mirou em Bichento um pontapé
mal calculado que acabou acertando o malão aos pés da cama de
Harry, derrubou-o, e fez Rony pular pelo quarto uivando de dor.
O
pêlo de Bichento de repente ficou em
pé. Um assobio alto e fino começou a invadir o quarto. O
bisbilhoscópio de bolso saltara de dentro das meias velhas do tio
Válter e saíra rodopiando e cintilando pelo chão.
—
Eu tinha me esquecido dele! — exclamou Harry, que se abaixou e recolheu o
bisbilhoscópio. — Nunca uso estas meias se posso evitar...
O
pequeno pião girava e assobiava na palma da mão do garoto. Bichento
sibilava e bufava para ele.
—
É melhor você levar esse gato daqui, Hermione — disse Rony furioso,
sentando-se na cama de Harry e massageando o dedão do pé. — Será que dá
para você guardar essa coisa? — acrescentou ele para Harry quando Hermione
ia se retirando do quarto. Os olhos amarelos de Bichento continuavam fixos nele,
cheios de malícia.
Harry
tornou a enfiar o bisbilhoscópio nas meias e atirou-o de volta ao malão.
Tudo que se ouvia agora eram os gemidos de dor e raiva que Rony abafava.
Perebas estava aninhado nas mãos do dono. Já fazia tempo que Harry o vira
fora do bolso do amigo e teve a desagradável surpresa de observar que
Perebas, antigamente tão gordo, estava agora magérrimo; e também tinha
perdido pêlos em alguns pontos do corpo.
—
Ele não está com uma aparência muito boa, não é? — comentou Harry.
—
É estresse! — respondeu Rony. — Ele até estaria bem se aquela bola idiota
de pêlos o deixasse em paz.
Mas
Harry, se lembrando que a mulher na loja de Animais Mágicos dissera que os
ratos só viviam três anos, não pôde deixar de sentir que, a não ser que
Perebas tivesse poderes jamais revelados, ele estava chegando ao fim da
vida. E, apesar das queixas freqüentes do amigo de que o rato estava
chato e inútil, ele tinha certeza de que Rony ficaria muito infeliz
se o bicho morresse.
O
espírito de Natal estava decididamente em baixa no salão comunal da
Grifinória àquela manhã. Hermione prendera Bichento no dormitório das
meninas, mas estava furiosa com Rony por ter tentado chutá-lo; Rony
continuava fumegando de raiva com a nova tentativa que o gato fizera de
comer seu rato. Harry desistiu de tentar fazer os dois se falarem e
se ocupou em examinar a Firebolt, que trouxera com ele para a sala. Por
alguma razão isto pareceu aborrecer Hermione também;
Ela
não fez comentário algum, mas não parava de lançar olhares carrancudos à
vassoura, como se esta também tivesse criticado Bichento.
À
hora do almoço eles desceram para o Salão Principal e descobriram que as
mesas das casas tinham sido encostadas nas paredes outra vez e que uma
única mesa fora posta para doze pessoas no meio do salão. Os professores
Dumbledore, Minerva MeGonagall, Snape, Sprout e Flitwick estavam sentados
à mesa, bem como Filch, o zelador, que tirara o avental marrom de uso
diário e estava enfatiotado com uma casaca muito velha de aspecto mofado.
Havia apenas mais três alunos, dois novatos extremamente nervosos e
um garoto mal-humorado da Sonserina.
—
Feliz Natal! — desejou Dumbledore quando Harry, Rony e Hermione se
aproximaram da mesa. — Como éramos tão poucos, me pareceu uma tolice usar
as mesas das casas... Sentem-se, sentem-se!
Harry,
Rony e Hermione se sentaram lado a lado na ponta da mesa.
—
Balas de estalo! — disse Dumbledore entusiasmado, oferecendo a ponta de um
tubo prateado a Snape, que o pegou com relutância e puxou. Com um
estampido, a bala se rompeu e surgiu um grande chapéu cônico de bruxo
encimado por um urubu empalhado.
Harry,
lembrando-se do bicho-papão, procurou
os olhos de Rony e os dois sorriram; a boca de Snape se comprimiu e ele
empurrou o chapéu para Dumbledore, que o trocou pelo próprio chapéu
de bruxo na mesma hora.
—
Podem avançar! — convidou ele aos presentes, sorrindo para todos.
Quando
Harry estava se servindo de batatas assadas, as portas do salão se
abriram. Era a Profª. Sibila Trelawney, deslizando em direção à mesa como
se andasse sobre rodas. Tinha posto um vestido verde de paetês em
homenagem à ocasião, o que a fazia parecer mais que nunca uma libélula
enorme e cintilante.
—
Sibila, mas que surpresa agradável! — saudou-a Dumbledore, levantando-se.
—
Estive consultando a minha bola de cristal, diretor — disse a professora
com a voz mais etérea e distante do mundo —, e para meu espanto, me
vi abandonando o meu almoço solitário para vir me reunir a vocês. Quem
sou eu para recusar uma inspiração do destino? Na mesma hora me apressei
a deixar minha torre e peço que me perdoem o atraso...
—
É claro — disse Dumbledore com os olhos cintilantes. Deixe-me apanhar uma
cadeira para você...
E,
dizendo isso, usou a varinha para trazer, pelo ar, uma cadeira que girou
alguns segundos e pousou com um baque entre os professores Snape e
Minerva.
A
Profª. Sibila, porém, não se sentou; seus enormes olhos começaram
a passear pela mesa e ela subitamente deixou escapar um gritinho.
—
Não me atrevo, diretor! Se eu me sentar, seremos treze! Nada poderia ser mais azarado! Não vamos
esquecer que quando treze comem juntos, o primeiro a se levantar será o
primeiro a morrer!
—
Vamos correr o risco, Sibila — disse a Profª. Minerva, impaciente. — Por
favor, sente, o peru está esfriando.
Sibila
hesitou, depois se acomodou na cadeira vazia, os olhos fechados e a boca
contraída, como se estivesse à espera de um raio atingir a mesa.
Minerva enfiou uma grande colher na terrina mais próxima.
—
Tripas, Sibila?
A
professora fingiu não ouvir. Reabriu os olhos, correu-os ao redor da mesa,
mais uma vez, e perguntou:
—
Mas onde está o nosso caro Profº. Lupin?
—
Receio que o coitado esteja doente outra vez — disse Dumbledore, fazendo
um gesto para que todos começassem a se servir. — Pouca sorte que isso
fosse acontecer no dia de Natal.
—
Mas com certeza você já sabia disso, não, Sibila? — disse a Profª. Minerva
com as sobrancelhas erguidas.
Sibila
lançou a Minerva um olhar gelado.
—
Claro que sabia, Minerva — disse com a voz controlada. — Mas a pessoa não
deve fazer alarde de tudo que sabe. Muitas vezes finjo que não possuo Visão Interior para não deixar os outros
nervosos.
—
Isto explica muita coisa — disse a outra com azedume.
A
voz da Profª. Sibila subitamente se tornou bem menos etérea.
—
Se você quer saber, Minerva, vi que o coitado do Profº. Lupin não vai estar
conosco por muito tempo. E ele próprio parece saber que seu tempo é
curto. Decididamente fugiu quando eu me
ofereci para consultar a bola de cristal para ele...
—
Imagine só — comentou Minerva secamente.
—
Tenho minhas dúvidas — disse Dumbledore, com a voz alegre, mas
ligeiramente mais alta, o que pôs um ponto final na conversa das duas — de
que o Profº. Lupin corra algum perigo iminente. Severo, você preparou a
poção para ele outra vez?
—
Preparei, diretor — respondeu Snape.
—
Ótimo. Então logo ele deverá estar de pé... Derek, você já se serviu
dessas salsichas apimentadas? Estão excelentes.
O
garoto do primeiro ano ficou vermelhíssimo quando Dumbledore se dirigiu a
ele, e apanhou a travessa de salsichas com as mãos trêmulas.
A
Profª. Sibila se comportou quase normalmente até o finzinho do almoço de
Natal, duas horas depois. Empapuçados com a comida e ainda usando os
chapéus da festa, Harry e Rony se levantaram primeiro da mesa e ela deu um
grito agudo.
—
Meus queridos! Qual dos dois se levantou da cadeira primeiro? Qual?
—
Não sei — respondeu Rony olhando preocupado para Harry.
—
Duvido que vá fazer muita diferença — disse a Profª. Minerva com frieza —,
a não ser que o tarado da machadinha esteja esperando aí fora para matar o
primeiro que sair para o saguão.
Até
Rony riu. Sibila pareceu muitíssimo ofendida.
—
Vem com a gente? — perguntou Harry a Hermione.
—
Não — respondeu a garota. — Quero falar uma coisa com a Profª. McGonagall.
—
Provavelmente vai tentar ver se pode assistir a mais aulas — bocejou Rony
quando se encaminhavam para o saguão de entrada, onde não encontraram
nenhum louco da machadinha.
Quando
chegaram ao buraco do retrato, encontraram Sir Cadogan desfrutando um
almoço de Natal com dois frades, vários ex-diretores de Hogwarts e seu
gordo pônei. O cavaleiro levantou a viseira e brindou aos dois garotos com
uma jarra de quentão.
—
Feliz... Hic... Natal! Senha!
—
Cão desprezível — disse Rony.
—
E o mesmo para o senhor, meu senhor! — berrou Sir Cadogan quando o quadro
se afastou para admitir os garotos.
Harry
foi diretamente ao dormitório, apanhou a Firebolt e o Estojo para
Manutenção de Vassouras que Hermione lhe dera de presente de aniversário,
levou-os para baixo e tentou encontrar o que fazer com a vassoura; mas não
havia lascas levantadas para aparar e o cabo ainda estava tão reluzente
que não tinha sentido lhe dar polimento. Ele e Rony ficaram ali
admirando a vassoura de todos os ângulos até que o buraco do retrato se
abriu e Hermione entrou, acompanhada da Profª. Minerva.
Embora
Minerva McGonagall fosse diretora da Grifinória, Harry só a vira antes na
sala comunal uma vez, e para dar um aviso muito sério.
Ele
e Rony a olharam, os dois segurando a Firebolt. Hermione contornou o lugar
em que eles estavam, se sentou, apanhou o livro mais próximo e escondeu o
rosto nele.
—
Então é isso? — perguntou a professora com o seu olhar penetrante,
aproximando-se da lareira para examinar a Firebolt. — A Srta. Granger acabou
de me informar que alguém lhe mandou uma vassoura, Potter.
Harry
e Rony se viraram para olhar Hermione. Surpreenderam sua testa corando por
cima do livro, que ela segurava de cabeça para baixo.
—
Posso? — perguntou McGonagall, mas não esperou resposta para tirar a
vassoura das mãos dos garotos. Examinou-a atentamente, do cabo às lascas.
— Hum. E não havia nenhum bilhete, nenhum cartão, Potter? Nenhuma
mensagem de nenhum tipo?
—
Não — disse Harry sem compreender.
—
Entendo... Bem, receio que tenha de levar a vassoura, Potter.
—
Q... Quê? — exclamou Harry, ficando em pé. — Por quê?
—
Teremos que verificar se não está enfeitiçada.
Naturalmente eu não sou especialista nesse assunto, mas imagino
que Madame Hooch e o Profº. Flitwick possam desmontá-la...
—
Desmontá-la? — repetiu Rony, como se a professora fosse maluca.
—
Não deve levar mais do que umas semanas. Você a receberá de volta se
tivermos certeza de que está limpa.
—
A vassoura não tem nada errado! — exclamou Harry, a voz ligeiramente
trêmula. — Francamente, professora..
—
Você não pode saber, Potter — disse a professora com bondade —, pelo menos
até ter voado nela, e receio que isto esteja fora de questão até
nos certificarmos de que ninguém a alterou. Eu o manterei informado.
A
Profª. McGonagall deu meia-volta levando a Firebolt, e atravessou o buraco
do retrato, que se fechou em
seguida. Harry ficou observando a professora
partir, a latinha de cera de polimento ainda na mão. Rony, porém, se
voltou contra Hermione.
—
Para que você foi correndo contar à Profª. Minerva?
Hermione
largou o livro de lado. Seu rosto continuava vermelho, mas ela se levantou
e enfrentou Rony, desafiando-o.
—
Porque achei, e a Profª. McGonagall concorda comigo, que provavelmente a
vassoura foi mandada a Harry por Sirius Black!
Nenhum comentário:
Postar um comentário